Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural

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Entrevista | Marcelo Lana

Ele está sempre presente nos encontros, participa e apoia as ações voltadas ao aprimoramento da assistência técnica e extensão rural. Recentemente, Marcelo Lana, graduado em direito e administração de empresas, assumiu o comando da Emater de Minas Gerais e, com orgulho, festejou o prêmio concedido à instituição como melhor empresa de desenvolvimento agropecuário do país pela revista Globo Rural. A distinção foi entregue na última quarta-feira (10 de outubro) pela terceira vez. Alguns dias antes de receber o prêmio da Globo Rural, em São Paulo, ele esteve em Brasília, onde participou de uma reunião com o Itamaraty sobre a possibilidade de o Brasil colaborar com os países do Caribe, por meio dos serviços de Ater. Na ocasião, ele concedeu ao site da Asbraer a entrevista abaixo:

Há um grande movimento em favor da criação de um sistema e de uma instituição nacional de assistência técnica e extensão rural. Como o senhor avalia a ação da Asbraer?

— É fundamental que entendamos a grande valia dessa iniciativa da Asbraer, pelo qual vem se empenhando há muito tempo. Acompanhamos os lançamentos do plano safra da agricultura comercial e da agricultura familiar, ocasiões em que a presidente (Dilma Rousseff) colocou claramente a sua concordância com a ideia. Inicialmente, ela falou em criar uma agência e, em seguida, em empresa. Não sabemos exatamente qual será o formato, mas é fundamental que tenhamos um sistema de assistência técnica e extensão rural, a fim de resgatarmos ações cinéticas essenciais para levarmos, em nível nacional, ao agricultor familiar as políticas públicas. Em Minas Gerais, podemos citar a instituição que presidimos, que, hoje, conta com 789 escritórios em um universo de 853 municípios. Aqueles que não dispõem de escritório da Emater Minas, são atendidos via satélite, ou seja, têm a presença de um técnico, o que nos permite alcançar a realidade dos produtores rurais.

Com a criação do sistema e da instituição nacional de Ater, virão desafios. Qual seria o perfil adequado do extensionista nessa nova conjuntura?

— Como as demais funções e profissões, o extensionista tem que estar preparado para o mundo moderno. Ele tem que ter conhecimento não somente da sua missão, mas sobre tecnologia da informação, pois, hoje, estamos completamente dependentes das tecnologias para a nossa atuação. Acredito que esse órgão de Ater, em nível nacional, vai contribuir sobremaneira nessa linha para que possamos realmente pensar no todo, em um país continental como o nosso, com todas as diferenças climáticas, de relevo e de cultura, que devemos respeitar, temosque intensificar as ações de Ater. Para os profissionais que estão chegando ao campo, é preciso aplicar o conhecimento acumulado, combinado com as novas tecnologias, para que consigamos chegar aos milhares de agricultores que tanto necessitam dos serviços de Ater.

No lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar, a presidente Dilma afirmou ainda que deseja um sistema que atenda a todos os públicos do meio rural. Haveria alguma dificuldade para atender prioritariamente o agricultor familiar e os outros segmentos produtivos do campo?

— A meu ver, não. Acho que os diferentes públicos se completam. Somos todos partes de uma mesma sociedade, e o que se busca em todos os níveis de governo — não só federal, mas estadual e municipal — é justamente isso, a diminuição da desigualdade social. Quandonos referimos ao agricultor familiar, ao médio e ao grande produtor, o que se deseja é reduzir as desigualdades. É óbvio que, nós do governo, que devemos ter ações focadas no pequeno agricultor, para que consigamos resgatá-lo de condições de miserabilidade, mas não podemos esquecer a classe média, que faz parte de uma grande parcela de contribuição. Assim, são necessárias ações de fomento e de crédito para que eles mantenham condições viáveis de produção. O grande produtor, normalmente, não tem maiores dificuldades, pois ele conta com linhas de financiamento até internacionais. O agricultor familiar tem algumas reservas. Com a criação do Ministério do Desenvolvimento Agrário, hoje, há ações direcionadas para o agricultor familiar. É fundamental que resgatemos o médio produtor. Vemos alguns lampejos, como o programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que são interessantes. O ABC viabiliza até R$ 1 milhão por CPF, com juros baixos, de 5,5% ao ano, com carência e prazo de 15 anos para pagamento. São lampejos de programas que começam a inserir o médio produtor no mercado.

À frente da Emater de Minas Gerais, quais são os seus principais projetos para a instituição?

— Primeiro é uma grande honra presidir a Emater de Minas e, ao mesmo tempo, fazer parte da diretoria Sudesteda Asbraer, que é uma associação de alto nível, que congrega as empresas de assistência técnica e extensão rural públicas do país. Em relação à Emater de Minas, temos 789 escritórios, 2.700 funcionários. É uma empresa grande, robusta e com vários programas. Trabalhamos no sentido intensificar e qualificar as nossas parcerias. Para se ter uma ideia, cada técnico da Emater de Minas tem 29 ações. Então, temos que tratar melhor essas ações, para que o técnico não seja um especialista de generalidades. É fundamental que tenhamos foco e priorizemos aquelas ações que realmente vão melhorar a vida do homem no campo, que, afinal, é a nossa meta maior, primando sempre pela sustentabilidade, produtividade e qualidade do produto e, é claro, pela renda. O que interessa no frigir dos ovos, em todos os sentidos, é melhorar a condição de vida do agricultor familiar, que é o nosso público alvo. E não só a dele, mas como já falei, a do médio produtor.

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