Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural

entrevistas

Entrevista: Júlio Zoé - Presidente do Instituto Agronômico de Pernambuco

No dia 10 de setembro de 2009 o IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco) completou 74 anos de atividades no segmento agropecuário. Hoje o instituto passa por uma reestruturação na área de assistência técnica e extensão rural e já possui escritório em 98% dos municípios pernambucanos e atende mais de 70 mil agricultores. O presidente do IPA, Júlio Zoé, fala sobre o trabalho do instituto no Estado.










Dr. Júlio, o IPA completou 74 anos de atividades no segmento agropecuário. Conte como o instituto começou a atuar com a assistência técnica e extensão rural (ATER).

O IPA começou em 1935 como Instituto de Pesquisas Agronômicas, realizando um trabalho focado em pesquisa de laboratórios para o setor agropecuário pernambucano. Nos anos 70, com a criação da Embrapa, o instituto passou a ser empresa pública e se chamar Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária. A partir daí, aconteceram algumas transformações, o IPA absorveu uma empresa que tinha o papel de produzir sementes e um órgão responsável por controle biológico de pragas da cana-de-açúcar. Mas foi apenas em 2003 que passamos a fazer o trabalho da antiga Emater, passando a ter todas as atribuições de extensão rural, de infraestrtura hídrica e abastecimento de água da agricultura.

Hoje nós temos uma instituição que cuida do tripé estratégico para a agricultura pernambucana que é a água, a geração do conhecimento e o serviço de assistência técnica e extensão rural.

O instituto também está passando por uma reestruturação na área da extensão rural, e hoje já atinge 98% dos 184 municípios pernambucanos. Como começou essa reestruturação?

Em 2006, tínhamos uma situação em que o IPA atendia 15 mil agricultores familiares, em um estado onde há aproximadamente 200 mil agricultores familiares. Hoje a partir de uma decisão política do governador Eduardo Campos de dar um tratamento digno e diferente ao agricultor familiar o IPA está em 180 dos 184 municípios do Estado e atendendo 70 mil agricultores familiares.

Esta decisão do governador foi aliada há um conjunto de medidas. Contratamos mais de 200 novos técnicos, tivemos aprovado o plano de cargos e salários além da construção da credibilidade junto aos principais parceiros, como é o caso do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Com isso, o orçamento do IPA aumentou em mais de 125% em relação ao ano de 2006 e hoje temos um orçamento em torno de 135 milhões.

Atualmente o IPA possui um convênio de 14 milhões com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), para que tem sido usado esse recurso?

O recurso do MDA é proveniente de um convênio em que temos metas físicas que vão desde a melhoria da infraestrutura, através de melhoria de laboratórios aquisição de veículos e equipamentos de informática, muito recurso também tem sido empregado na capacitação dos técnicos e agricultores além de atender 70 mil agricultores focado nas principais cadeias produtivas do Estado.

Qual o principal programa executado no Estado na área de assistência técnica e extensão rural?

O principal programa é um programa do Estado que se chama Terra Pronta. Esta política pública tem o papel de preparar adequadamente o solo, entregar as sementes e prestar assistência Técnica. Através do programa, atendemos este ano, 100 mil agricultores. Este programa tem um grande impacto, dados mostram que em entre 2007 e 2008 a produção de feijão do Estado aumentou em 33%.

Além do programa Terra Pronta, nós temos ouvido a população e as lideranças de cada município para construir junto com eles um plano de trabalho. Assim desenvolvemos projetos específicos para resolver os principais gargalos.

Quais os principais entraves para o avanço da Extensão Rural em Pernambuco?

Estamos em uma região pobre, o semiárido, e esta é uma região muito susceptível. Às vezes perdemos safras porque chove demais, às vezes porque não chove. Mas também temos outros problemas que a assistência técnica e extensão rural e agronomia não resolvem, como por exemplo, o problema da trafegabilidade. É muito duro você preparar o solo, chegar com a semente e muitas vezes, na época da colheita a estrada não permita o escoamento da produção. Também temos problemas para organizar os canais de comercialização. Enfim, há um conjunto de dificuldades que juntos estamos aprendendo a superar. O fato é que temos muita esperança de que trabalhando de forma integrada entre governos, técnicos e produtores possamos traçar novos rumos para a agricultura familiar de Pernambuco.

Quais os benefícios a Lei Geral de ATER (projeto de lei 5.665/2009) vai trazer para a extensão rural do Estado?

Recursos são extremamente importantes, mas se ele chega em um período inadequado, a importância dele diminui. Este é um dos principais entraves que o convênio traz. Aqui no Estado, por exemplo, o calendário agrícola do semiárido acabou e o recurso só chegou agora , estamos comprando equipamentos que vão servir apenas para o próximo ano. Se este recurso tivesse chegado nos primeiros meses, teria trazido um grande benefício para a agricultura familiar em 2009. Por isso essa lei, está sendo uma das maiores conquistas, porque permite saber que o recurso vai chegar na época certa e também da a garantia da continuidade destes recursos para a prestação de serviço, e dará muito mais eficiência a nosso trabalho. Esta é uma luta muito importante e graças ao esforço de todos, hoje nós podemos ver que a Lei Geral de Ater está muito perto de ser aprovada..

Maisa Alves – Asbraer
maisa@asbraer.org.br
31 - 33498093

« voltar