Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural

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Entrevista: José Silva Soares


















Com o Choque de Gestão em Minas e também na Emater, a Empresa passou por algumas transformações que lhe trouxeram mais resultados e qualidade no trabalho. Quais foram as principais transformações na Emater e qual o impacto na vida das pessoas?

A principal transformação que nós fizemos na Emater foi a mudança na sua missão. A Emater, ao longo dos anos, cuidou de abertura dos Cerrados, de trazer novas tecnologias, da produção e da produtividade, mas, para se adequar ao cenário mundial, foi preciso que ela se transformasse em uma Empresa de desenvolvimento sustentável, principalmente focada nas pessoas, na qualidade de vida das famílias rurais, na qualidade dos produtos que chegam à mesa dos consumidores e, mais do que isso, precisava cuidar do desenvolvimento de Minas Gerais. Houve transformações no sentido de utilizar ferramentas de metodologias modernas de gestão, que até então eram muito utilizadas só na iniciativa privada. Hoje a Empresa consolida a cultura da competência, do planejamento, a cultura de entregar um serviço com regularidade, com qualidade à sociedade e, especialmente, aos nossos clientes.

A Emater hoje orienta os agricultores para se organizarem em associações e em cooperativas e prioriza o atendimento a estes grupos. Qual a importância desta nova forma de atuação da empresa?

Nós sabemos que cada vez mais o mundo se transforma em uma aldeia global. As distâncias foram reduzidas com a evolução da tecnologia e da agricultura, especialmente a agricultura familiar, que é o foco de atuação da Emater de Minas Gerais, os agricultores precisam estar unidos, inseridos no mercado para agregar valor, para comprar e vender melhor e ter mais renda e qualidade de vida. Assim, nós iremos garantir a redução da desigualdade entre as pessoas, entre as regiões e, especialmente, transformar Minas Gerais cada vez mais em um Estado mais igual, cada vez melhor para se viver, para se investir. Assim, atenderemos também a uma grande diretriz do Governo de Minas, liderada pelo governador Aécio, de fazer Minas crescer, ser referência para o Brasil, sem deixar ninguém para trás.

Quais foram as principais conquistas desde 2003, tanto para os profissionais da Empresa quanto para a sociedade?

Para os profissionais da Empresa foram a valorização pela sociedade do trabalho da Emater e, especialmente, a valorização e a referência que a Emater de Minas é para outros estados e outros países. Nós já transpusemos a barreira e as nossas fronteiras não só dos estados, mas também dos países, e a Emater hoje está ajudando, de forma humanitária, países da África e de outros lugares do mundo. Para a sociedade, a grande evolução foi a evolução que a Emater teve no sentido de ser uma Empresa referência, em que os mineiros e mineiras acreditam, por isso ela se transformou em um patrimônio de Minas Gerais. Este é o grande legado deste Governo e que a nossa gestão está deixando para a sociedade de Minas Gerais. A Emater é uma empresa que transforma a vida das pessoas por meio da produção e da produtividade, mas, especialmente, respeitando o meio ambiente, respeitando as diferenças das pessoas e garantindo produtos com qualidade, com segurança alimentar e cada vez mais universalizando este trabalho, democratizando o trabalho de extensão rural e da assistência técnica, que é importantíssimo para que o agricultor e o produtor rural tenham mais produção e produtividade, respeitando o meio ambiente e especialmente tendo mais renda.

Algumas expressões, nascidas em 2003, se tornaram muito conhecidas nessa nova Emater com o início da sua gestão: criatividade, inovação, determinação, planejamento, resultados e melhoria de vida. Essas palavras traduzem a Emater de hoje?

A Emater de hoje era um sonho dos mineiros, de todos os profissionais da nossa Empresa, era uma exigência do mercado, especialmente das organizações dos produtores. Essas palavras se transformaram em cultura, porque nós fizemos uma gestão participativa na qual cada um dos profissionais da Emater, cada um dos parceiros, cada um dos mineiros e mineiras ajudou a sonhar e a construir. Então essas palavras mostram que a Emater é uma Empresa moderna, uma Empresa contemporânea que se adequa aos tempos para, cada vez mais, estar à frente. É como nós falamos no primeiro dia da gestão: fazer a gestão da Empresa não é olhar como ela é, mas como será no futuro, e hoje a nossa grande preocupação já é pensar na Emater de 2020, de 2030 e 2050. Que ela não tenha só 60 anos, 61, 65 ou 70 anos, mas que ela seja uma empresa perene, enquanto Minas Gerais precisar de se desenvolver, de produzir alimentos, produzir qualidade de vida e especialmente reduzir as desigualdades, a fome e a pobreza.

Hoje a Emater se consolida como patrimônio de Minas. O que significa isso para Minas Gerais e para o Brasil já que ela é pioneira na extensão rural?

Para Minas Gerais significa que nós, em Minas, com os ares das suas montanhas, os ares de liberdade de todos os movimentos do país, estamos fazendo transformação. Nós plantamos uma semente; os mineiros e todas as mineiras, especialmente todos os brasileiros, estão colhendo os frutos, e, mais uma vez, aqui, nós plantamos a semente da extensão rural moderna, contemporânea, que é pragmática e que usa as metodologias modernas de gestão. Isso faz com que a Emater seja esse patrimônio dos mineiros.

Como o senhor estava dizendo, a Emater hoje é referência na extensão e gestão. Muitas empresas públicas e privadas têm buscado o conhecimento e a experiência da Emater. Podemos dizer que as ferramentas de gestão e metodologias utilizadas na Emater têm potencializado os resultados da Empresa?

Eu tenho convicção de que se nós não tivéssemos feito essas transformações, se não utilizássemos essa metodologia e ferramentas de gestão moderna não sei o que seria dessa Empresa. É uma Empresa que cresceu. Só para se ter uma ideia, o nosso orçamento aumentou em três vezes; os nossos resultados todos aumentaram em duas vezes e meia a quatro, dependendo do setor e do seguimento. Essas metodologias fizeram com que a Emater pudesse criar essa cultura da competência e da competitividade que reflete no Brasil. E agora está refletindo também fora do Brasil, quando nós estamos nos países africanos levando essa ajuda humanitária para o desenvolvimento da agricultura, como uma maneira de promover mais justiça social, de combater a fome e a desnutrição.

No ano de 2009 a Emater fez a descentralização do Sistema Integrado de Gestão (SIG), dividindo com cada profissional a responsabilidade pelos bons resultados. Isso é um diferencial no mercado? Qual a importância desta ação internamente e para os clientes?

Nós sabemos que todas as organizações, quando utilizam essas ferramentas modernas de gestão e metodologias, fazem uso só nas Diretorias e Unidades Regionais. Como a Emater é uma Empresa que, pela sua história, constrói participativamente as políticas públicas, a diretriz deste Governo é fazer o planejamento, mas não fazer o planejamento a partir dos gabinetes, então nós fomos pioneiros na descentralização destas metodologias. Isso significa que nós estaremos enraizando, na própria organização, essa cultura do planejamento, de acreditar nas pessoas, de fazer uma gestão participativa, de construir juntos as soluções. E nós temos certeza de que esta construção participativa, com os profissionais, com os nossos parceiros, vai fazer da Emater cada vez mais este patrimônio de Minas, porém um patrimônio que também evolui, que se adequa aos tempos.

E eu tenho certeza de que, nos próximos anos, a Emater terá que continuar fazendo essas transformações, mas principalmente acreditando no potencial das pessoas, na força transformadora do sonho, mas destes sonhos com as raízes fincadas no solo, colocando prazo, metas, dividindo os resultados, multiplicando as ações e reconhecendo que cada uma das pessoas que trabalha na Empresa, cada uma das pessoas que precisa do trabalho da Empresa e, especialmente, de toda a sociedade, acredita que a Emater faz essa transformação.

Presidente, o Minas Sem Fome é um programa de destaque da Emater? Por quê?

Eu diria que o Minas Sem Fome é a cara deste Governo. É a cara do Governo de Minas, a cara da nossa gestão e a cara da Emater, porque o Minas Sem Fome é um programa descentralizado, um programa participativo. Tem um alto controle social, porque todos os beneficiários fazem a fiscalização da implantação dele e ele transformou a Emater, principalmente nesta Empresa promotora de desenvolvimento sustentável porque na Emater nós fazíamos, e fazíamos muito bem, os projetos, os programas e construímos as políticas públicas, mas até então nós não ajudávamos os produtores a implantar estes projetos e a tirá-los do papel, e o Minas Sem Fome fez esta transformação até no sentido de que os profissionais da Emater e as pessoas beneficiárias pudessem acreditar que é possível fazer diferente, e esse fazer diferente faz a diferença.

A Emater na construção de políticas públicas, em parceria com a sociedade, tem ajudado novas áreas buscando a melhoria da qualidade de vida das famílias. Alguns exemplos são os trabalhos com os jovens rurais e assentados com a Reforma Agrária. Essas ações fazem parte da missão da Empresa?

Como a Empresa é promotora do desenvolvimento sustentável, é preciso que aquelas pessoas que recebem suas terras na Reforma Agrária transformem essas terras em unidades produtivas. É preciso acabar com a Reforma Agrária ideológica; é necessária uma Reforma Agrária pragmática na qual cada unidade, cada lote, cada parcela de terra, cumpra o papel de produzir alimentos, de gerar renda, emprego e qualidade de vida. E também era preciso um trabalho com a juventude rural, que ainda hoje migra toda para a cidade. Eram necessárias ações para que os jovens tivessem oportunidades no meio rural. Hoje grande número da população rural tem entre 12, 13 anos e depois acima de 50 anos. Isso significa que os jovens estão saindo do campo, por isso a nossa preocupação de cuidar do jovem, que ele tenha oportunidade de ficar no campo, mas ficar com qualidade de vida.

Quais os outros bons resultados da Empresa? O senhor poderia nos contar?

Eu poderia citar, por exemplo, o Programa de Responsabilidade Ambiental, que, além de produzir alimentos para resolver o dilema da fome e da desnutrição, também se preocupa com as gerações futuras, para que tenham a oportunidade de continuar produzindo e vivendo com qualidade. Recuperando rios, matas e nascentes, preocupando também com os produtos que chegam à mesa dos consumidores, com a segurança alimentar, com a qualidade e, especialmente, a Emater ser essa referência não só em assistência técnica, mas também em gestão transparente, inovadora e também de uma gestão participativa.

A Emater trabalha com o foco em desenvolvimento sustentável. Na prática como é isso?

O desenvolvimento sustentável é quando você consegue produzir alimentos, energia, riquezas e qualidade de vida sem degradar o meio ambiente. Ao mesmo tempo no campo financeiro ter renda. No campo político institucional, as pessoas terem a oportunidade de ser cidadãs, de participar da vida política, da vida pública de sua comunidade, de construir os sonhos e a organização dos agricultores para acessar os mercados, para agregar valor. Isso é o desenvolvimento sustentável. É um desenvolvimento que precisa ser melhorado todos os dias, à proporção que você atingir uma meta e um objetivo, terá que superar seus próprios limites.

Qual a importância das parcerias da Emater com outras empresas e prefeituras?

Especialmente no mundo em que estamos vivendo, em que todas as organizações se unem para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo, as parcerias são os alicerces de toda a evolução da Emater neste período. As parcerias com o terceiro setor, com as organizações da sociedade, com as organizações dos agricultores, especialmente com as administrações municipais, com o Governo Federal e também com as organizações do próprio Governo de Minas Gerais. A Emater hoje é uma Empresa que permeia em todos os campos do desenvolvimento, em todos os campos em que existem organizações que trabalham para o desenvolvimento e para a recuperação do vigor econômico, do vigor histórico e da liderança de Minas Gerais.

Hoje a captação de recursos da Emater é maior do que era em 2003. Isso significa mais reconhecimento do trabalho da Empresa?

Isso, primeiro, significa uma gestão profissionalizada, uma gestão que faz planejamento, que sabe aonde quer chegar, aonde tem foco, especialmente por meio dos programas estruturadores. E também porque os nossos parceiros, os nossos ministérios, os municípios e os parceiros internacionais sabem da força e do potencial que a Emater tem ao executar os programas e os projetos, garantindo transparência e aplicação na hora certa, cumprindo os prazos e entregando aqueles serviços que são compromissados aos beneficiários, aos agricultores e à sociedade. Então esta competência, esta maneira diferente de fazer gestão fazem a Emater ter esta credibilidade, ao ponto de se transformar em um patrimônio dos mineiros.

O senhor é profissional de carreira na Empresa. Como se sente com a Emater completando 61 anos de atuação e se consolidando como patrimônio de Minas, fruto desta gestão, e que o senhor atua como presidente que fez a Emater ser reconhecida e valorizada por todos os mineiros, pelos bons resultados e trabalho de cada extensionista?

Eu acho que o melhor sentimento que todo profissional pode ter é o do dever cumprido. Mas também aquele sentimento de que nós podemos fazer mais, podemos fazer melhor. Um sentimento de querer dividir com cada um dos profissionais da Empresa as conquistas, as alegrias e os resultados; de saber que ninguém faz nada sozinho, e que juntos conseguimos transformar a Emater naquela empresa que sonhamos.

A Empresa que nós sonhamos em 2002 é uma realidade hoje. Mas precisamos continuar olhar para o horizonte, enxergando que é possível e nós vamos crescer muito mais. Dividir este avanço com todos os nossos colegas, com todos os agricultores e parceiros e é um sentimento também de que a Emater se transformou em um patrimônio de Minas, porque também o Governo do Estado acreditou na nossa gestão, acreditou no nosso potencial.

Fica também uma lição muito bacana de que os profissionais de carreira da Empresa têm capacidade, têm potencial, e os governos, independentemente de que linha política e ideológica sejam, precisam acreditar que dentro das organizações é que formamos os sucessores, formamos as pessoas preparadas para fazer com que as políticas públicas, cada vez mais, atinjam as pessoas que mais precisam, e a gente consiga fazer do Brasil e de Minas Gerais uma sociedade mais justa e mais igualitária. E a oportunidade é a grande senha para as pessoas se realizarem e construírem seus sonhos.

Assessoria de Comunicação da Emater-MG
Gerente: Giordanna Meirelles

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