Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural

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Entrevista com Álvaro Afonso Simon Coordenador Geral da Federação Nacional dos Trabalhadores da Assistência Técnica e Extensão Rural e do Setor Público Agrícola do Brasil – Faser

Criada em 28 de novembro de 1986, a Faser surgiu como um contraponto ao desmonte dos serviços de Ater assumindo compromissos com os movimentos populares. Por meio de ações conjuntas com segmentos organizados de agricultores, a Federação conseguiu recolocar o serviço de Extensão Rural no cenário das grandes discussões nacionais.

Atualmente a Faser possui 28 entidades em todo país, entre associações e sindicatos, unindo cerca de 28 mil trabalhadores da Extensão Rural e do Setor Público Agrícola. Eleito pelos trabalhadores da entidade em 4 de julho de 2010, como coordenador geral, Álvaro Afonso Simon tem mantido o compromisso de dar continuidade a esse trabalho em defesa permanente do serviço público de qualidade para a agricultura familiar.

Visando melhorias para o setor, a Federação Nacional dos Trabalhadores da Assistência Técnica e Extensão Rural do Brasil (FASER) subscreveu um documento elaborado pela Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer) e pela Academia Brasileira da Extensão Rural (Aber) que foi entregue no dia 23 de setembro, para os principais candidatos a presidência da República.

O documento em questão propõe sugestões para universalização e aprimoramento dos serviços públicos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) do Brasil.

As propostas apresentadas foram: a criação da Secretaria Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural e a centralização da gestão das políticas de Ater, criação de uma Política Nacional de Formação de Extensionistas, ampliação de repasse de recursos financeiros públicos para Ater Pública Estatal, inovação e modernização da gestão das entidades de Ater e a implantação de uma política nacional de valorização profissional da extensão rural.

Acompanhe a entrevista.

Recentemente a Faser subscreveu um documento elaborado pela Asbraer e Aber entregue aos presidenciáveis. Esse documento constitui propostas para a ampliação e fortalecimento da ATER brasileira. O que levou a Faser participar dessa parceria?

Tudo que o documento sugere aos candidatos faz parte da agenda dos trabalhadores do setor público agrícola do Brasil. Estamos vivendo um novo tempo e o momento é de juntarmos forças. Temos plena consciência de que a recuperação do sistema de Ater nos últimos anos é fruto de uma luta conjunta de vários seguimentos da sociedade. Em todos os momentos a Faser esteve presente, agora é tempo de efetivar e qualificar as propostas até aqui formuladas. Para isso, devemos compartilhar esforços e bem atender os agricultores brasileiros, em especial aqueles que mais necessitam.

Entre as propostas apresentadas no documento, tem alguma que gostaria de destacar?

Penso que as propostas sugerem um conjunto, que mais adiante nos remeterá obrigatoriamente a outras necessidades. Nesse caso, destacar uma ou outra proposta seria diminuir a importância das demais. Antevejo muita dificuldade no processo de criação da Secretaria de Ater, embora todas ações necessitarão de mais corpo, isto é, do auxílio de outros segmentos sociais do mundo rural.

Qual a importância desse documento para os candidatos à presidência da República?

De imediato para orientar seus discursos e posteriormente suas ações. As sugestões são consistentes e apontam para a ampliação do atendimento aos agricultores. Propõe mudanças institucionais e os recursos para atender o agricultor familiar com um serviço público de qualidade e de acordo com a importância desse setor na economia nacional.

Como esse documento vai contribuir para o crescimento do Brasil e principalmente no que diz respeito à permanência das famílias agricultoras no campo?

O documento sugere ações que apontam para a consolidação da nova Ater. Para que a Ater contribua com a permanência das pessoas no campo é preciso ter em conta pelo menos três elementos do paradigma que se anuncia. O primeiro é o arcabouço teórico, ou seja, as ideias que vão apontar os novos rumos do desenvolvimento rural. Isso, em boa parte, já está contido na PNATER. O segundo elemento se constitui nos interesses envolvidos, nas técnicas e metodologias. Nesse aspecto a agroecologia está se revelando uma sólida opção.

O terceiro elemento é a nova institucionalidade que abrigará os dois elementos anteriores, servindo de apoio ao seu bom funcionamento. Referem-se às normas, regras, leis e mesmo às infraestruturas físicas. Já se percebe um processo de mudança institucional em nível federal e em algumas empresas de Ater estaduais, porém, aquelas que se demorarem a perceber a novidade terão mais dificuldades em contribuir com um desenvolvimento mais sustentável. Essa conformação vai definir o papel da Ater no desenvolvimento do Brasil rural com gente feliz.

Apesar dos avanços das políticas públicas voltadas para o meio rural, vários segmentos têm sofrido com a diminuição de sua renda. O que a Faser pensa sobre esta questão?

O aumento da renda dos agricultores sempre foi a grande dificuldade para quem trabalha com Ater. Se nos referirmos a uma renda sustentável devemos considerar que o mundo rural é multifuncional e intimamente ligado ao mundo urbano. Essas são duas características novas reveladas pela PNATER e mais recentemente pela Política de Desenvolvimento do Brasil Rural (PDBR). Os estudos mais recentes nos dizem que a renda agrícola é importante, mas é parte da renda produzida no meio rural. A Faser entende que as possibilidades de formação de renda devem ser discutidas com todos os atores do mundo rural em parceria com os consumidores urbanos. A coordenação de uma ação imediata nesse sentido pode ser compartilhada entre a Faser e a Asbraer.

Qual a visão da Faser sobre os serviços de ATER no Brasil?

Todo esforço intelectual da Faser foi colocado na PNATER e na PDBR, as orientações desses documentos apontam claramente para onde os pesquisadores e extensionistas rurais devem seguir. Não há mais motivos para se dizer que estamos sem rumo. Porém, há os que ainda negam as vontades de milhões de agricultores por motivos pessoais ou ideológicos. O fato dessas duas políticas proporem um outro estilo de desenvolvimento para Brasil rural requer uma profunda mudança de comportamento dos pesquisadores e extensionistas rurais e, é normal que haja resistência na sua efetiva ação.

Qual a sua expectativa em relação a ATER, para o próximo governo eleito?

Se o governo for do mesmo partido do atual, penso que haverá uma ampliação e qualificação dos serviços de Ater. Tomo como base a pressão popular, as conferências e o diálogo construído com a sociedade civil. Contudo, independentemente do partido que governar continuará o desafio da universalização dos serviços de Ater nos estados. Essa questão está relacionada, também, com os recursos destinados às unidades da federação. Nossa expectativa é que as chamadas de Ater consigam solucionar esse impasse.

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