Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural

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Entrevista | Pedro Arraes - Emater - GO

O dia 25 de julho comemoramos o Dia do Produtor Rural, aquele que vem contribuindo para o desenvolvimento do Brasil ao longo da história. A supersafra que tivemos em 2017 é um forte catalisador da retomada do crescimento e do aumento do número de empregos no campo, mesmo que lentamente.

Na maioria dos países desenvolvidos, como Estados Unidos e grande parte da Europa, produtores rurais são considerados o esteio do desenvolvimento econômico. São respeitados e admirados, além de também serem um elemento de identificação cultural de seu país. No Brasil, apesar do sucesso que temos na implementação da agricultura tropical, a maior parte da sociedade urbana não reconhece o papel estratégico do produtor rural na oferta de alimentos.

O Brasil conta com cerca de 5 milhões de estabelecimentos rurais muito diversos, que produzem commodities como milho, soja, trigo, leite, carne e café, mas também tem agropecuaristas que produzem as não commodities como hortaliças, frutas, feijão, arroz, mandioca, pequenos animais e peixes. Essa diversidade única é uma realidade bem brasileira que oferece oportunidades fantásticas para o mercado interno e externo. Infelizmente, nos últimos anos, tentou-se dividir os produtores entre pequenos e grandes, ou familiares e empresariais. Parece que essa onda começa a se desmanchar enquanto, simultaneamente, começamos a entender a importância de termos um setor agrícola forte e inclusivo para todos.

Diante do cenário de mudanças climáticas e da necessidade de se produzir preservando o meio ambiente, o setor tem desafios importantes pela frente. Os projetos de desenvolvimento da agropecuária precisam se preocupar em proporcionar o aumento de renda para produtores (principalmente o de não commodities), diminuir a desigualdade no campo e melhorar a qualidade de vida das famílias que vivem no meio rural.

Neste momento, passamos pelo que podemos definir como a quarta revolução na agricultura. Essa revolução está estruturada na manipulação do que é denominado ‘big data’ e com a facilidade de se obter informações georreferenciadas no território, além dos avanços na automação de máquinas e equipamentos agrícolas.

A pesquisa e os processos de extensão rural precisam acompanhar esses avanços para que possamos ter uma produção sustentável de alimentos saudáveis. Valorizando os nossos produtores estaremos valorizando uma das mais nobres missões que é a de semear a terra e dela tirar o nosso pão.

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