Logo da ASBRAER
Logo da ASBRAER

REDE DE NOTÍCIAS

NOTÍCIA

Encontro reúne famílias de programa de turismo rural do Alto Vale (SC) premiado nacionalmente


Programa Caminhos do Campo reúne 62 famílias de 12 municípios da região do Alto Vale de SC


11/03/2026 | Assessoria de Comunicação - Epagri/SC | Cléia Schmitz, jornalista bolsista Epagri/Fapesc


Foto: Reprodução/Epagri-SC

O Centro de Treinamento da Epagri em Agronômica, no Alto Vale de Santa Catarina, recebe nesta sexta-feira, 13 de março, às 9 horas, às famílias que participam do Programa de Turismo no Espaço Rural Caminhos do Campo. É o primeiro encontro do grupo depois da conquista do segundo lugar no Prêmio Nacional de Turismo 2025, na categoria Governança e Gestão, entregue em dezembro pelo Ministério do Turismo, em Brasília.


“Vai ser o momento de estender a entrega do prêmio a cada família que faz parte do Caminhos do Campo e mostrar a elas a grandiosidade dessa conquista para que saibam que a jornada de cada propriedade valeu muito a pena e foi reconhecida nacionalmente”, afirma Fabiana Dickmann, idealizadora do circuito e assessora de turismo e cultura da Associação dos Municípios do Alto Vale (Amavi). 


O programa Caminhos do Campo foi criado em 2018 pela Amavi e conta com a assessoria da Epagri. O objetivo é promover atrações turísticas rurais como alternativa e complemento de renda, incentivando a permanência das famílias na propriedade. Segundo Fabiana, é uma ferramenta para o município fomentar emprego e renda a partir da oferta de atrações turísticas baseada em tradições, produtos e atrativos culturais e naturais da cidade. 


​Fabiana, da Amavi, recebeu a premiação em nome do grupo, que conquistou o segundo lugar no Prêmio Nacional de Turismo 2025, na categoria Governança e Gestão, entregue pelo Ministério do Turismo (Foto: Divulgação/Amavi)


O programa reúne 62 famílias de 12 municípios e tem uma longa lista de espera. “O turismo rural se tornou uma fonte de renda importante para muitos participantes e isso tem despertado o interesse de outras famílias”, conta Katiucia Visentainer, líder na Epagri do Projeto Regional Vale Agregar e responsável regional pelo Programa Gestão de Negócios e Mercado em Rio do Sul. Katiucia também coordena o Comitê de Integração da Instância de Governança Regional Caminhos do Alto Vale e do Turismo (Cintetur/Amavi).


Profissionalização do turismo


O casal Jairo Boing e Luana Kaleski Boing, de Vitor Meirelles, estão entre os pioneiros no Caminhos do Campo. Eles aderiram ao programa em 2020 e, de lá para cá, o turismo rural ganhou cada vez mais espaço no Sítio Agroboing. Os principais atrativos são o restaurante e o colhe e pague de uvas. “Para nós, o Caminhos do Campo foi um divisor de águas. Meus pais já trabalhavam com turismo, mas a partir do programa eu e Luana assumimos e começamos a crescer muito. Hoje, o turismo é uma das principais rendas da propriedade”, conta Jairo. 


Para Luana, o programa trouxe oportunidades de profissionalização que o casal jamais imaginou. Ela cita a participação no projeto Experiências do Brasil Rural, realizado pelo Ministério do Turismo junto com a Universidade Federal Fluminense. “Tivemos muitas capacitações e profissionais praticamente acompanhando o nosso dia-a-dia e isso trouxe muito impacto positivo para nossos negócios. Hoje, temos grupos de turistas que vêm pelo quarto, quinto ano seguido e sempre que retornam trazem familiares e amigos”, conta a agricultora.  


​Casal Jairo e Luana, do Sítio Agroboing, são pioneiros do programa Caminhos do Campo (Foto: Arquivo pessoal/Família Boing)


Com o crescimento no número de visitantes, Jairo e Luana construíram um novo restaurante em 2023. O projeto incluiu várias sugestões dos turistas e orientações recebidas nas capacitações, como investimentos em acessibilidade e energia solar. A produção de uvas também foi incrementada. Hoje, há 16 variedades da fruta na propriedade. A tradicional produção de fumo da família Boing ainda ocupa espaço, mas os planos do casal é reduzir ano a ano para introduzir novas atrações turísticas. 

 

Valorização da propriedade


A meta do Cintetur/Amavi é fechar o ano de 2026 com mais seis municípios parceiros e aumentar para 150 o número de famílias participantes. Para participar, as prefeituras precisam aprovar uma lei instituindo o programa como uma política pública e abrir chamada pública para que as propriedades rurais interessadas façam sua inscrição e participem do processo de seleção, baseado em uma série de requisitos. 


​Atualmente 62 propriedades fazem parte do Caminhos do Campo. Meta é chegar a 150 no fim deste ano (Foto: Arquivo pessoal/Família Boing)

Para a extensionista Katiucia, o impacto positivo do Caminhos do Campo vai muito além de gerar emprego e renda. “Percebemos que ao receber visitantes encantados com os atrativos oferecidos, o produtor rural passou a olhar a sua propriedade de forma diferente, reconhecendo e valorizando a beleza, o potencial e a qualidade de vida de sua terra. Muitos não enxergavam mais nada disso”, conta.


Outro ponto positivo é o envolvimento de toda a família no negócio. Segundo Katiucia, são atividades que valorizam muito o trabalho da mulher. Em geral, são elas que recebem os turistas e preparam a comida como pães, biscoitos, queijos e geleias. “As atividades também estimulam a permanência dos filhos no campo, que passam a ter a própria renda. Nós vimos jovens retornando para o campo, se sentindo valorizados e úteis”, relata a extensionista. 


Selo de sustentabilidade


Um grande mérito do Caminhos do Campo é o estímulo ao trabalho em rede. Antes do programa, já havia propriedades rurais oferecendo experiências turísticas de forma isolada. A diferença é a integração dos atrativos em um roteiro que amplie o interesse dos turistas em visitar a região. “Trabalhamos muito para que eles se enxerguem como um grupo e não atuem com rivalidade. A ideia é de associativismo”, explica Fabiana. 


Ao atuar de forma colaborativa, as famílias do Caminhos do Campo abrem espaço para a profissionalização do turismo. No ano passado, as propriedades foram capacitadas para se adequar a uma série de requisitos necessários para receberem a certificação ESG. A sigla, conhecida internacionalmente, abrange um conjunto de práticas ligadas à preservação do meio ambiente, à responsabilidade social e à ética e transparência da governança. 


​Sítio Agroboing, do Casal Jairo e Luana, de Vitor Meirelles, recebeu o selo Ouro (Foto: Arquivo pessoal/Família Boing)

Segundo Fabiana, todas as propriedades receberam a visita de uma empresa avaliadora. Ao final do processo, elas foram classificadas em bronze, prata e ouro e receberam o respectivo selo no fórum realizado no ano passado para ostentar em suas propriedades. “A certificação virou a chave para que todos buscassem, e continuem buscando, a melhoria nos processos”, avalia Fabiana. Uma nova avaliação será feita a cada dois anos. 


O Sítio Agroboing recebeu o selo Ouro de ESG. Para Jairo e Luana, a certificação contribuiu para aumentar a visibilidade e credibilidade do negócio, auxiliando no fechamento de parcerias. “É muito mais fácil chegar numa agência de turismo receptivo para grupos e oferecer um pacote quando você faz parte de um programa como o Caminhos do Campo e ostenta a conquista de um selo ouro em ESG”, explica Jairo.


DESTAQUES

Com apoio da Emater Goiás, produtor transforma propriedade em renda e dobra rebanho em Sanclerlândia