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Emater/RS-Ascar utiliza teste de infiltração para qualificar manejo do solo e projetos de irrigação


A Instituição deve fazer pelo menos um em cada município e em diferentes sistemas de produção: pastagens, hortaliças, fruticultura, silvicultura, fumicultura


02/02/2026 | Assessoria de comunicação - Emater/RS


Reprodução - Emater/RS

A Emater/RS-Ascar vem utilizando o teste de infiltração de água no solo pelo Método dos Anéis Concêntricos, como ferramenta técnica para o manejo e a conservação do solo e da água, bem como o planejamento de sistemas de irrigação. A Instituição deve fazer pelo menos um em cada município e em diferentes sistemas de produção: pastagens, hortaliças, fruticultura, silvicultura, fumicultura.

​A técnica permite estabelecer a quantidade e a velocidade com que a água entra no solo. O objetivo é determinar a capacidade de infiltração do solo, a taxa de infiltração, a infiltração acumulada e a taxa de infiltração básica, parâmetros fundamentais para o manejo hídrico e a conservação do solo. O método consiste na medição da lâmina de água infiltrada ao longo do tempo, resultando na chamada velocidade de infiltração, parâmetro fundamental para a definição de práticas agrícolas adequadas. A partir desses dados, é possível orientar decisões técnicas relacionadas ao manejo do solo, à escolha do método de irrigação, ao dimensionamento de sistemas e à prevenção de processos erosivos.

​"Esse teste fornece dados básicos para trabalhos de irrigação e manejo do solo, permitindo definir técnica de conservação, método de irrigação, espaçamento, dose de aplicação de água e turno de rega", explica o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS-Ascar, Marcelo Biassusi.

​A infiltração da água é caracterizada pelo movimento da água da superfície para o interior do solo. A relação entre a lâmina infiltrada e o tempo resulta na velocidade de infiltração básica, indicador essencial para a escolha do método de irrigação, o planejamento de projetos, a avaliação do escoamento superficial, da erosão do solo e da necessidade de drenagem.

​O teste é realizado com o uso do sistema de duplo anel, que mantém carga hidráulica constante. A recomendação técnica é que o procedimento seja executado em dois momentos distintos: inicialmente com o solo seco e, após 48 horas, com o solo úmido, permitindo a comparação dos resultados.

​"A velocidade de infiltração básica indica o limite de água que o solo consegue absorver. Se a aplicação ultrapassar esse valor, ocorre escoamento superficial, o que pode causar erosão", destaca Marcelo.

​A realização do teste de infiltração de água no solo também tem um impacto direto na percepção do agricultor sobre a própria terra. Ao acompanhar o processo e observar o comportamento da água no solo ao longo do tempo, o produtor passa a compreender, de forma prática, como o manejo adotado influencia a fertilidade, a conservação e o aproveitamento da chuva. Essa leitura do solo permite decisões mais conscientes em períodos de estiagem ou de chuvas concentradas, que são cada vez mais frequentes.

​Para quem vive da produção agrícola, entender como a água se infiltra e permanece no solo significa planejar melhor a adubação, evitar perdas de nutrientes e pensar no futuro da propriedade. No caso da produção de milho, o teste se torna uma ferramenta estratégica, pois aponta caminhos para a correção do solo, garantindo mais estabilidade para as próximas safras.

​O primeiro teste de 2026 foi realizado em uma propriedade produtora de milho, de Amilton Amaral, no município de Lindolfo Collor, permitindo avaliar, na prática, a capacidade de infiltração e retenção hídrica do solo. "No começo a gente pensa que é só mais um teste, mas quando vê o resultado entende o quanto isso é importante. A água não desce rápido, e aí tu percebe que, se não infiltrar bem, a adubação vai embora. Isso é muito importante para o solo".

​MÉTODO

​O procedimento é executado com o uso de um infiltrômetro e de um conjunto de anéis concêntricos, sendo o infiltrômetro composto por um tubo de PVC fechado com dois conjuntos de caps e registros, posicionados nas extremidades superior e inferior. O equipamento é fixado a um suporte metálico (tripé), que permite mantê-lo suspenso sobre a superfície do solo. Na parte externa, o infiltrômetro possui uma mangueira de nível e régua graduada, que possibilitam a leitura precisa do nível da água ao longo do teste.

​O conjunto de anéis concêntricos é formado por dois anéis metálicos, sendo o anel interno com 20 centímetros de diâmetro e o anel externo com 60 centímetros, com alturas que variam entre 20 e 30 centímetros, conforme a condição do terreno. Em áreas com maior declividade, recomenda-se o uso de anéis mais altos, garantindo o correto nivelamento do sistema e a confiabilidade dos resultados.

​Essas informações são fundamentais para que projetos de irrigação respeitem a capacidade do solo, evitando perdas de água, degradação ambiental e impactos negativos à produção. O uso da técnica destaca a importância do manejo sustentável do solo e da água, promovendo sistemas produtivos mais eficientes.​


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