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Epagri-SC dá a largada para a capacitação de merendeiras na região de Itajaí com produtos da agricultura familiar


Trinta e quatro cozinheiras de 17 instituições de Guabiruba participaram do curso


13/02/2026 | Assessoria de Comunicação - Epagri/SC | Renata Rosa, jornalista bolsista


Foto: Divulgação/Epagri-SC

O Centro de Treinamento de Itajaí (Cetrei) recebeu no último dia 3 de fevereiro um grupo animado de 34 merendeiras de Guabiruba, ansiosas para aprender técnicas culinárias e receitas para incluir no cardápio das escolas da rede pública municipal. O curso de capacitação de merendeiras é ministrado pela nutricionista e extensionista social Mabel Gomes Dias Lago e vai contemplar, ao longo de 2026, outros municípios da região.


“A Epagri tem atuado junto ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e a capacitação das merendeiras é um ponto muito importante, pois é através das preparações delas que os alimentos da agricultura familiar chegam aos alunos”, afirma a nutricionista.


O foco da capacitação é a elaboração de pratos fazendo uso integral dos alimentos, aproveitando cascas, sementes e talos, que normalmente vão para o lixo, para aumentar o valor nutricional das preparações. “Também focaremos no uso de ervas e especiarias e na diversificação das preparações, utilizando os principais alimentos da agricultura familiar e visando aumentar a aceitação pelas crianças”, acrescentou.


Após a aula teórica sobre as técnicas básicas de pré-preparo de vegetais, foi a vez de colocar em prática os conhecimentos na Cozinha Experimental do Cetrei. Devido ao grande número de participantes, uma parte das alunas colocou a mão na massa, enquanto as demais ficaram assistindo à aula-show. No cardápio havia torta de legumes, chips de casca de batata-doce e petisco de abóbora. “A semente de abóbora é rica em magnésio, zinco e fósforo, vitaminas E e do complexo B. É também uma excelente fonte de fibras e proteínas, o que favorece a saúde cardiovascular e o sistema imunológico”, pontuou.


A nutricionista Rossana Belíssimo da Silva, da Secretaria de Educação de Guabiruba, conta que existe um projeto permanente de capacitação das merendeiras no município para reciclar conhecimentos e trocar experiências. “As merendeiras experientes dão dicas às novatas e elas trocam receitas entre si, sempre tendo como base uma alimentação mais natural possível, com produtos da agricultura familiar, sem multiprocessados”, enfatiza. E devido ao grande número de crianças vindas de outras regiões brasileiras, pratos regionais estão sendo incorporados ao cardápio, como o cuscuz.


Merendeiras pediram para aprender a fazer cuscuz para agradar a criançada que veio de longe (Foto: Divulgação/Epagri)


Também acompanharam o grupo Vanessa Ramos, representante do Conselho Alimentar Escolar (CAE), e a nutricionista Zélia de Abreu Pinheiro. Segundo Zélia, a mudança de perfil do público escolar e das merendeiras têm enriquecido o cardápio das escolas da rede pública. “Merendeiras como a Nany, de Minas Gerais, trouxeram receitas de sua terra, como uma farofa de feijão que é uma delícia!”, revela. “Precisa ver o bufê das escolas. É um verdadeiro banquete!”, reforçou Vanessa.


A capacitação constante das merendeiras no município já está dando resultados positivos, não só na diversificação do cardápio, como no aspecto nutricional das preparações. “As merendeiras me surpreenderam, são muito boas. Quando orientei sobre o uso de ervas, muitas delas já usavam, assim como a utilização da casca de batata-doce”, elogiou Mabel.


Mudança de perfil do público escolar promoveu fusão de culturas 


A farofa que Vanessa e Zélia elogiaram foi uma adaptação do tradicional feijão tropeiro mineiro, mas para agradar ao paladar das crianças e reduzir o teor de gordura, Nany teve o cuidado de retirar o torresmo. Nany Hernandes Reis, 44, é natural de Governador Valadares (MG). Ela trabalha há sete anos como merendeira, após se mudar para Guabiruba, em busca de mais qualidade de vida para criar os filhos. 

Nany adaptou receitas de Minas Gerais para o cardápio escolar e levou a cuca para os mineiros (Foto: Renata Rosa/Epagri)


“Eu era servidora do SINE (Sistema Nacional de Emprego) em minha cidade, mas quando tive meus filhos, queria encontrar uma cidade mais tranquila para morar e fiquei encantada com Guabiruba”, afirma Nany, que trabalha na escola básica Padre Germano Brandt. E apesar de nunca ter trabalhado como cozinheira profissional, ela conta que aprendeu muito com a irmã, que tem um serviço de bufê. 


“O Brasil é um país riquíssimo! A culinária de cada estado é totalmente diferente uma da outra. A comida mineira é mais caseira, comida de vó, feita no fogão à lenha, por isso eu acho que agrada tanto, como o pão de queijo, que todo o Brasil consome. E assim como eu incluí receitas de minha terra, como o caldinho de aipim com frango, também levei receitas daqui para o coffee break de lá, como a cuca, a orelha de gato e a torta de bolacha”, revela.


O branqueamento prolonga a vida dos vegetais sem perder nutrientes


Outra participante que veio de longe é Isabelle Coelho, 30, merendeira da escola Ervin Schumacher. Natural de Santarém (PA), ela mora em Guabiruba há 12 anos e começou a trabalhar como merendeira em 2025, experiência nova que afirma ser muito gratificante. “Eu só cozinhava para minha família, mas agora cozinho para mais de 100 crianças, e faço com o mesmo amor, como se fizesse para meus próprios filhos. O trabalho é árduo, mas o carinho que a gente recebe das crianças faz tudo valer a pena”, afirma. 


O paraense Josailson trocou a exaustiva jornada em restaurantes pelo refeitório escolar (Foto: Renata Rosa/Epagri)


O único merendeiro da turma é outro paraense, Josailson Barbosa Ferreira, 46. Ao contrário da conterrânea, ele tem 23 anos de experiência como cozinheiro, só que em restaurantes. A oportunidade de trabalhar na rede pública de ensino surgiu quando a prefeitura realizou um concurso em 2024. “Foi a melhor coisa que fiz. No restaurante a gente trabalha de domingo a domingo e não tem hora para terminar. Na escola é mais tranquilo”, acredita. Josailson trabalha na escola Arthur Wippel de ensino integral, que atende 434 alunos. 


Já Hildevan Juliana Machado Floriano, 65, veio de São Paulo, onde trabalhou em restaurantes, e se orgulha de tocar sozinha o refeitório da escola João Jensen, que atende 148 alunos. “Eu chego às 7h e às 8h40 o bufê já está pronto porque é de manhã que as crianças mais tem fome”, revela. Para facilitar o trabalho, ela capricha na organização da despensa, onde os alimentos são separados e etiquetados. Durante a capacitação, a merendeira ficou interessada no processo de branqueamento (pré-cozimento de vegetais). “Assim poderei congelar, separar em porções e usar um pouco de cada vez”, aposta.


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