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Programa Supera Estiagem impulsiona irrigação e transforma produção agrícola no RS
Falta de chuva ou a má distribuição das precipitações ameaça o desenvolvimento das lavouras e coloca em risco a produção
09/03/2026 | Assessoria de Imprensa - Emater/RS-Ascar | Tássia Becker Alexandre
Foto: Reprodução/José Schäfer/Emater-RS
A estiagem é uma velha conhecida dos agricultores gaúchos. A falta de chuva ou a má distribuição das precipitações ameaça o desenvolvimento das lavouras e coloca em risco a produção. Para enfrentar esse desafio, a irrigação tem se mostrado uma aliada na busca por segurança e estabilidade no campo. "A água é o principal insumo da lavoura. O produtor pode fazer a melhor adubação e se não chover, não tem produção. A irrigação é uma segurança para o produtor", avalia o extensionista da Emater/RS-Ascar, Roger Terra de Moraes.
Apesar dos benefícios, o investimento em irrigação ainda é um obstáculo para muitos agricultores devido ao custo dos sistemas ou até pelas limitações de acesso à água. Em diferentes regiões do Estado, produtores têm buscado alternativas para enfrentar os períodos de seca, incluindo a família de Laura Ottoni, em Soledade.
Em 2023, a propriedade passou a integrar a primeira etapa do Programa Supera Estiagem, promovido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). Nessa fase, a irrigação foi implantada em nove dos 90 hectares da família. Dois anos depois, na segunda etapa da iniciativa, a área irrigada foi ampliada em mais 23 hectares, com a instalação de um pivô central.
O sistema utiliza a água de um açude da propriedade, com mais de um hectare e cerca de três metros de profundidade, garantindo a reserva suficiente para a irrigação das lavouras. "A água do açude vem pelo pivô, que aplica uma lâmina de 9 a 10 milímetros em cada passada. Cada volta leva em torno de 23 horas, então, nos picos de necessidade de água, o produtor poderia fazer uma irrigação por dia e garantir a água suficiente para a necessidade da cultura", explica o extensionista.
A família planeja concentrar o uso da irrigação nas culturas de verão, especialmente o milho. Moraes destaca que a tecnologia também beneficia pastagens e outras atividades. "Num primeiro momento, o cálculo de viabilidade para irrigação é mais atrativo para o milho, mas também dá retorno para quem trabalha com pecuária, com leite, por exemplo, porque garante uma produção barata de alimento, de altíssima qualidade, numa pequena área", afirma o extensionista.
Investimento que gera retorno
O projeto da família Ottoni teve um custo total de R$ 654 mil, além das despesas com adequação da rede elétrica. Desse valor, R$ 100 mil foram viabilizados pelo Programa Supera Estiagem. "O custo de produzir no sequeiro e no molhado é o mesmo. A diferença no molhado é que é possível agregar valor e ter uma produção mais garantida", analisa o agricultor Adilson da Silva, genro de Laura Ottoni.
O investimento também carrega um valor afetivo. O sonho de implantar a irrigação começou com o marido de Laura, José Ottoni, que sempre quis ver o sistema funcionando na lavoura. Após a sua morte, os genros Ronaldo e Adilson decidiram concretizar o desejo do sogro.
"Meu marido sempre tinha essa ideia de irrigar. Ele gostava muito disso, e como tem a água perto que a gente pode usar, é uma maravilha. É plantar e saber que vai colher", conta Laura Ottoni. "Eu acredito que seja um sonho realizado. Meu sogro era um empreendedor e o sonho dele era ter um sistema de irrigação. Então nós fizemos o caminho inverso, viemos da cidade para o interior e continuamos tocando depois que ele faleceu", lembra o agricultor Ronaldo Bottega de Moraes.
A Emater/RS-Ascar esteve ao lado da família desde o início, oferecendo orientação técnica em todas as etapas da implantação do sistema. Para Ronaldo de Moraes, o apoio da Instituição e as políticas públicas do programa estadual foram decisivos para transformar o projeto em realidade. "Os incentivos são fundamentais para que o nosso sonho seja realizado".
Animada com os resultados, a família já pensa nos próximos passos. A expectativa é que novas etapas do programa permitam ampliar a área irrigada. "Seria o sonho a terceira fase", projeta Ronaldo. Para o extensionista Roger Terra de Moraes, o exemplo da família é inspirador. "Que mais produtores possam seguir esse exemplo, porque esse tipo de investimento é muito rentável e, com certeza, dará o retorno esperado pela família", finaliza.




