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Projeto da Epagri-SC em Itajaí busca identificar criadouros do Maruim transmissor da febre Oropouche no Litoral Norte
Armadilhas de campo foram espalhadas em diferentes pontos das propriedades
09/03/2026 | Assessoria de Comunicação - Epagri/SC | Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc
Foto: Reprodução/Epagri-SC
Teve início na última semana de fevereiro a segunda etapa do Projeto de Manejo Integrado do Mosquito Maruim com a instalação de armadilhas em propriedades rurais de Luiz Alves. O objetivo é identificar os locais de maior ocorrência do inseto, responsável pela transmissão do vírus que provoca a febre oropouche, cujos sintomas são parecidos aos da dengue. A pesquisa é realizada com recursos da Fapesc e conduzida por uma equipe de pesquisadores da Estação Experimental da Epagri em Itajaí (EEI).
São 100 armadilhas de campo e 30 armadilhas luminosas, desenvolvidas pela equipe em 2025, que serão instaladas em duas propriedades, uma de banana e outra de gado, para monitorar, estudar e atuar no controle dos insetos. As armadilhas de campo serão instaladas em diferentes pontos das propriedades, como dentro das lavouras, próximas a estábulos, na grama e na brita em torno da casa do produtor rural para identificar qual local é mais atraente para a reprodução do Maruim.
Uma gaiola de tela com armadilha luminosa será instalada para estudar a eficácia da mosca soldado negra no controle de larvas do maruim (controle biológico). A mosca é nativa das Américas e não transmite doenças. “A mosca soldado, na fase larval, compete pelo alimento com a larva do Maruim; além disso, ela é muito eficaz para produzir biofertilizante a partir dos resíduos orgânicos, dando uma destinação adequada aos restos da lavoura”, aposta o pesquisador e entomologista Wilson Reis.
Para realizar este experimento, foi preciso fazer uma criação de moscas na Unidade de Produção de Bioinsumos (Unibio) da EEI, onde é feito o acasalamento do inseto e são coletados ovos para o berçário, onde as larvas são geradas. Os ovos também são utilizados em outro experimento para testar diferentes sistemas de produção de biofertilizante, e identificar o mais adequado para a utilização pelo produtor rural.

Mosca-soldado-negra está sendo testada para controle biológico do maruim (Fotos: Renata Rosa/Epagri)
Mosca produz biofertilizante a partir de lixo orgânico em 15 dias
Estão sendo testados quatro sistemas de produção de biofertilizante. O sistema autônomo é o único que não depende de um berçário e requer pouca mão de obra. O modelo é composto por quatro bandejas, em dois níveis, protegido por tela. Na parte de cima ficam duas bandejas onde o lixo orgânico é acondicionado, no caso do experimento, resíduos da lavoura de banana do projeto de fruticultura. Na parte de baixo ficam as bandejas para onde as larvas vão se deslocar após transformar os resíduos em biofertilizante. Mas para dar início é necessário fazer uma primeira coleta de ovos na natureza.
“É um sistema de produção de substrato mais eficiente do que um minhocário, por exemplo, que leva cinco meses para produzir o biofertilizante, enquanto as moscas realizam o processo em apenas 15 dias”, compara. Wilson conta que a mosca soldado negra já é amplamente usada na Europa para produção de biofertilizante e ração animal, principalmente na aquicultura, pois o inseto é rico em proteína e gordura.

O entomologista está testando diferentes sistemas de produção de biofertilizante utilizando larvas de mosca soldado
“Visitei uma empresa na França, no ano passado, que utiliza o passivo ambiental de uma fábrica de amido de trigo para fabricação de ração e fornece para fazendas de cultivo de camarão. Eles também produzem biofertilizante, fechando o ciclo produtivo, um modelo de sucesso de economia circular”, revela.
Outro experimento realizado pelo entomologista é para identificar em que momento do processo de decomposição dos resíduos provenientes da lavoura de banana o material se torna mais atraente para o Maruim. Estão sendo testados o ph dos resíduos com 15, 30, 45, 60, 90 e 120 dias, já que o inseto aprecia restos com ph acima de 8. “A partir de 30 dias, o resíduo já atinge este percentual. Já a larva da mosca soldado se alimenta de resíduos com ph entre 6 e 14, por isso consome todo tipo de resíduo orgânico, é mais agressiva do que o Maruim”, acrescenta.
Wilson explica que o Maruim é o único mosquito Phematófago (se alimenta de sangue) cuja larva não se desenvolve na água, como os pernilongos, mas em matéria orgânica em decomposição. No Estado, a maior incidência do inseto acontece no verão.




